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Propriedades Físicas da Jatropha curcas / Pinhão Manso Imprimir E-mail

A Tabela da composição do fruto do pinhão-manso indica os resultados das análises processadas em diversos lotes de sementes de pinhão-manso, oriundas de Riacho da Cruz, município de Januária, cujos rendimentos médios de óleo representam cerca de 38% do peso da semente seca.

As características fisico-químicas do óleo de pinhão-manso estão discriminadas na Tabela de análise físico-química do óleo de pinhão-manso onde se apontam, a título de comparação, os resultados analíticos obtidos em laboratórios distintos. Ressalve-se, porém, que as amostras possuem acidez livre variáveis e, portanto, podem acarretar diferenças em suas propriedades.

Embora o índice de iodo seja o mesmo do óleo da polpa de dendê, indicativo, portanto para ambos, de uma estrutura química de mesmo grau de insaturação, a diferença marcante entre os correspondentes óleos reside no baixo ponto de solidificação do óleo de pinhão-manso, inferior a 10 graus celcius negativos, bastante diferente dos valores atribuídos aos óleos de macaúba e de dendê, em torno de 15 graus celcius positivos, aspecto que pode favorecer o emprego direto do óleo de pinhão-manso, puro ou em mistura com diesel, nos motores de combustão interna, mesmo nas regiões de clima temperado.

A Tabela da composição química em ácidos graxos do óleo de pinhão-manso mostra os valores referentes à composição química em ácidos graxos do óleo de pinhão-manso, determinados com base na análise por cromatografia em fase gasosa. As diferenças verificadas entre os dados obtidos em laboratórios diversos são pouco significativas; basicamente, representam modificações nos teores de ácido linoleíco, cuja estrutura e mais susceptível a alterações químicas, dependendo da origem e do estado de conservação das sementes.

Conforme se vê, a acentuada incidência do grupo linoléico nas moléculas individuais dos glicerídeos, que constituem o óleo de pinhão-bravo, pode representar, no entanto, um ponto negativo do uso da Jatropha pohliana Muell , como fonte produtora de óleos vegetais para fins carburantes. pois, como já se disse, a sua estrutura favorece a formação de reações de polimerização o que, por isso, pode dificultar a sua queima completa na câmara de combustão do motor.

Além das vantagens apresentadas, que certamente colocam o pinhão-manso entre as oleaginosas mais promissoras, as variações de acidez nas sementes são pouco expressivas, mesmo nos períodos longos de armazenamento. Com efeito, sementes condicionadas em sacos, durante mais de 1 ano, por moradores de Riacho da Cruz, apresentaram acidez livre inferior a 6%. Por outro lado, a manutenção de grãos recem coletados em dessecadores por períodos até 6 meses não implica em alterações substanciais do grau de acidez das amostras, cujo teor em ácidos graxos livres foi sempre inferior a 2%.

A preservação das sementes do pinhão-manso durante longos períodos de tempo constitui efetivamente, num dos aspectos mais favoráveis da euforbiácea, o que resultará em menores custos de sua produção agrícola, certamente bem inferiores aos de outras culturas oleaginosas, como dendê ou macaúba, cujos frutos são rapidamente deterioráveis, motivo por que se exige seu processamento no máximo 48 horas após a coleta.

A auto-oxidação do óleo de pinhão-manso durante a estocagem pode, contudo, ser acelerado por ação de calor, oxigênio ou traços de metais pesados, e de seus cations, comumente presentes nos materiais empregados na fabricação dos tanques de armazenagem, o que pode conduzir ao desenvolvimento de reações laterais, como a formação do aldeidos saturados, por exemplo, hexanal , heptanal ou nonanal, ou de compostos corrosivos. Por tais razões, os estudos preliminares devem ser conduzidos também para avaliar e minimizar, talvez por adição de inibidores, os efeitos da auto-oxidação dos óleos insaturados.

Sem considerar o pericárpio do fruto, cujo aproveitamento para geração de vapor nas caldeiras irá atender às necessidades energéticas na fase industrial de processamento das sementes, a torta residual, representada pela casca e albúmen da semente, terá emprego direto como fertilizante de qualidade ímpar, tendo em vista os índices elevados de nitrogênio, potássio e fósforo, em quantidade pouco vistas em outros concentrados naturais.

No caso da separação da casca da semente durante a fase industrial, talvez seja mais conveniente usar a própria casca como insumo calorífico, em vista do seu alto teor de lignina (Tabela da composição química da torta de pinhão-manso) reservando-se a torta do albúmen e também as cinzas da carbonização para a fertilização dos campos cultivados de pinhão-manso.

A Tabela de análise inorgânica das cinzas mostra os resultados obtidos nas análises de elementos inorgânicos presentes nas cinzas do fruto, e chamando a atenção para os teores bastante elevados de fósforo e potássio, além da incidência, também significativa, de cálcio e magnésio, elementos nutrientes essenciais para o bom desenvolvimento vegetativo da planta.

Outra possibilidade seria aliviar a possível toxidez da torta e utilizá-la para o balanceamento de rações animais, através de técnicas a serem pesquisadas, tendo em vista o seu alto teor proteico. No caso do pinhão, a torta representa 39,2% se se considerar a semente sem casca; ou 61,81 com semente integral.

A torta obtida a partir do albúmen contem em torno de 57% de proteína bruta, acrescida de carboidratos, lipídeos, sais minerais e vitaminas. Ao lado do aspecto puramente quantitativo e importante que se atento para a qualidade da proteína, determinada por sua composição em aminoácidos, tornando-se a torta obtida do albúmen, de baixo teor de fibra, de emprego potencial na ração de monogástricos, inclusive o homem.

As principais características químicas de uma série de óleos vegetais, extraídos de espécies nativas, são apresentadas na Tabela das características químicas de óleos vegetais nativos, que ordena os diferentes óleos segundo o grau de insaturação.