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Seminário na Holanda mostrou crescimento do pinhão-manso Imprimir E-mail
- Fonte: Rural Biodiesel   
quarta, 11 abril 2007
O Seminário Internacional Sobre Pinhão-manso, realizado no final de março, em Wageningem, na Holanda, reuniu uma centena de pesquisadores, produtores rurais e investidores na produção de biodiesel de 26 países de todos os continentes.

O encontro foi promovido e organizado pela Fact Foundation – Fuels from Agriculture in Communal Technology, ong holandesa, que apóia a busca de opções biológicas para substituição dos combustíveis fósseis. Durante três dias, de 26 a 28 de março, foram apresentados trabalhos de pesquisas, produção e fomento desta oleaginosa em todo o mundo.

Maurício Möller e Ana Karina Ticianelli Möller, da Rural Biodiesel S/A, estiveram no Seminário. Segundo eles, este encontro internacional teve como objetivo principal reunir os envolvidos com o desenvolvimento de tecnologias e implantação de projetos em todo o mundo para troca de informações e conhecimentos e a criação de uma rede mundial de pesquisa sobre o pinhão-manso.

“Esta oleaginosa perene - que reponde muito bem a manejos e tratos culturais melhorados - está sendo vista pelo mundo como uma forma de inclusão dos agricultores dos países em desenvolvimento no mercado de comodities”, assegura Maurício Möller. Exemplificando, ele cita material publicado na revista Time do dia 9 deste mês que fala sobre alternativas possíveis de ações contra o aquecimento global e ressalta um projeto da poderosa empresa americana DaimlerChysler para promoção do pinhão-manso como alternativa energética que não concorre com a alimentação humana.

Segundo Mauricio, atualmente é grande o volume de experimentos, projetos privados e programas governamentais que apostam no desenvolvimento do pinhão em todo o mundo, principalmente nas Américas, África e Ásia. De áreas desérticas a solos férteis o pinhão vem ganhando espaço. Os interesses, segundo mostrado no seminário, vão desde a extração do óleo para iluminação doméstica, produção de sabão, recuperação de solos degradados, matéria-prima na indústria farmacêutica, projetos de MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, movimentação de pequenos motores rurais até à produção de biocombustível em escala industrial.

Nativo da América e disseminado pelo mundo pelos portugueses, o pinhão-manso também conhecido por purgueira, fazia parte do farnel desses conquistadores que o levaram para o mundo. O seu óleo de ótima qualidade foi o combustível que iluminou ruas e casas do Rio de Janeiro no Brasil Colônia e a base das exportações de colônias como Cabo Verde.

Maurício lamenta que o Brasil, que conhece o pinhão-manso há séculos, não tenha investido na pesquisa cientifica desta cultura. “Atualmente temos grande demanda e procura mundial por culturas alternativas produtoras de combustíveis não fósseis. No Brasil, o pinhão-manso desponta como uma grande esperança neste contexto, mas nos falta conhecimento. No passado, esquecemos de olhar para o futuro”, diz ele.

No entanto, ele ressalva que nestes últimos anos investimentos e pesquisas têm caminhado juntos, buscando maior conhecimento do comportamento e aperfeiçoamento da planta, bem como de seu manejo, pragas, doenças, limitações e potenciais.

A Rural Biodiesel, mantém um campo experimental Eldorado (MS) com 16 hectares plantados com pinhão-manso. Esta área de pesquisa está sendo orientada e acompanhada pelos técnicos da Fundação MS de Pesquisa e Embrapa. A partir de junho será colhida a segunda safra de sementes neste campo que vem apresentando ótimo desenvolvimento e potencial de produtividade.