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Pesquisa avalia qualidade forrageira de pinhão manso |
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- Fonte: Embrapa Semi-Árido
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quarta, 16 maio 2007 |
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Análises de folhas de pinhão manso cultivados em condições irrigadas e em sequeiro encontraram valores de proteína bruta ao redor de 14,5% e disgestibilidade de 55%. Estes índices são próximos aos encontrados em plantas de média e boa qualidade forrageira. Os testes foram realizados no Laboratório de Nutrição Animal da Embrapa Semi-Árido.
Os pesquisadores da Embrapa, que já estudam as propriedades oleaginosas da espécie e o sistema produtivo adequado à introdução da planta no programa brasileiro de biocombustíveis, avaliam qualidades forrageiras para viabilizar sua introdução pelos agricultores familiares do semi-árido. Se viabilizarmos estas duas aptidões do pinhão manso damos um passo im-portante para consolidar uma alternativa econômica sustentável
para os pequenos agricultores da região, afirma o pesquisador José Barbosa dos Anjos, da Embrapa Semi-Árido.
Domesticação - Apesar dos resultados animadores, o pinhão manso ainda carece de informações agronômicas consistentes para o seu cultivo em escala comercial. Em todo o planeta, a espécie está em vias de domesticação. Dados sobre produtividade, manejo de pragas e doenças, podas e espaçamento entre plantas, praticamente não existem na literatura técnico-científica. Por isto, ainda não é recomendado o seu uso forrageiro: a planta apresenta princípios tóxicos que ainda não foram dosados em condições brasileiras. Eles vão ser os próximos alvos de estudos, explica o pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, da Embrapa Semi-Árido.
No ensaio piloto conduzido no Laboratório de Nutrição Animal com ovinos foi constatado que, em conseqüência da elevada acidez no látex (pH variando entre 2,0 e 3,0), as folhas verdes de pinhão manso não são ingeridas pelos animais. Contudo, quando processadas e submetidas ao processo de secagem ao sol (fenação), os animais consumiram sem dificuldade. No entanto, Luiz Gustavo aponta a necessidade de estudos mais aprofundados e detalhados para avaliação de consumo, desempenho, digestibilidade e impactos no metabolismo e saúde dos animais. Em outros países, já foram identificados na planta do pinhão manso a presença de fatores cancerígenos, anti-tripicínicos, alergênicos, e tóxicos (curcina).
Diversificação - Tão importante quanto a necessidade de pesquisas, José Barbosa dos Anjos
considera fundamental estabelecer uma estratégia de exploração para o pinhão manso. Nas áreas de sequeiro do semi-árido, o cultivo comercial de pinhão manso precisa ser estimulado não como monocultivo, mas alternativa para ampliar a diversificação dos seus sistemas agrícolas.
A continuar os bons resultados alcançados pelas pesquisas até o momento, Barbosa considera a possibilidade do plantio consorciado com capim buffel. Na área semi-árida do Nordeste, existem cerca de 400 mil ha cultivados com este capim. Como os animais não consomem as folhas verdes do pinhão manso, este pode ser uma opção estratégica para plantio nas terras cultivadas com o buffel, defende Barbosa.
Mais pesquisas - O pinhão manso é encontrado em vários países sob as mais variadas
condi-ções ambientais. Algumas características já identificadas, como o longo ciclo produtivo, ani-mam os pesquisadores a agilizarem os estudos que visam domesticar a planta. Em testes experimentais realizado no campo experimental da Embrapa, em Petrolina-PE, para avaliar o desempenho produtivo, o pesquisador Marcos Drumond colheu cerca de 1000 kg de sementes por hectare com irrigação semanal a partir do sexto mês de cultivo. Sob plantio de sequeiro, a colheita foi de 250 kg de sementes por hectare.
Embora sejam resultados do primeiro ano de plantio, estas quantidades mostram quanto é promissor o cultivo desta espécie oleaginosa, afirma.
Na Embrapa Semi-Árido são realizados estudos para eliminar toxicidade de tortas e farelos de pinhão manso, assim como da viabilidade de utilização por diferentes espécies animais (caprinos, ovinos e bovinos). Outro estudo em andamento é a exploração do pinhão manso (Jatropha curcas L) por meio de enxertia sobre plantas de pinhão bravo (Jatropha molissíma Muell Arg.), que vegetam espontaneamente em áreas degradadas da caatinga. A idéia, segundo José Barbosa, é aproveitar a resistência e rusticidade da espécie nativa visando oferecer uma alternativa de enriquecimento da vegetação natural, associado à produção de matéria prima para produção de biodiesel.
Atualmente, pesquisadores da Embrapa Semi-Árido desenvolvem projetos relacionados ao pinhão manso em campos experimentais localizados no pólo Petrolina-PE/ Juazeiro-BA e Nossa Senhora da Glória-SE, em condições de sequeiro e irrigação. Os testes também vão ser realizados em áreas de variadas condições de solo e clima dos estados de Pernambuco e Bahia. Marcos Drumond explica que as plantas mais produtivas no primeiro ensaio instalado foram selecionadas e multiplicadas para cultivo em outros estados. Isto representa o primeiro passo para o melhoramento genético da espécie.
As pesquisas serão estendidas por meio de parcerias com outras instituições como a Prefeitura Municipal de Serra Talhada-PE, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Senhor do Bonfim-BA, Empresa Pernambucana de Pesquisa Agopecuária - IPA. Áreas experimentais serão implantadas em conjunto com a empresa privada Indústria Brasileira de Resinas (IBR) nos municípios de Jacobina e Ourolândia, situados na região noroeste da Bahia, no extremo norte da Chapada Diamantina, a 330 quilômetros de Salvador-BA. |
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