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Foram apresentadas as vantagens e desvantagens do cultivo do
pinhão-manso. Testes têm sido realizados em veículos com motor diesel,
substituindo o combustível pelo óleo extraído do pinhão. O baixo custo da produção é um fator que pode vir a atrair o pequeno agricultor.
O biodiesel é um combustível natural produzido por meio de fontes renováveis, como os vegetais. As primeiras experiências foram realizadas nos anos 60 com a junção de alcóol e óleo de café. Atualmente, oleginosas como a mamona, o girassol e o amendoim são utilizados para a produção do combustível. Uma semente em especial foi assunto do seminário Potencial do Pinhão-Manso para o Programa Nacional do Biodiesel, na Univerversidade de Brasília (UnB), entre os dias 28 e 30 de março.
No encontro foram apresentadas as vantagens e desvantagens do cultivo do pinhão-manso. Testes têm sido realizados em veículos com motor diesel, substituindo o combustível pelo óleo extraído do pinhão. Os resultados até o momento são satisfatórios.
O arbusto pode medir até 4 metros, tem sementes de onde se retira o óleo para vários fins, como na produção de sabão e purgante para gado. A torta (parte não aproveitada) pode ser usada como fertilizante. As sementes são tóxicas e, devido ao tamanho, mais de 1g, dificilmente são levadas pelos pássaros. A planta pode crescer em terra com pouca fertilidade.
A baixa resistência ao frio, a má qualidade da madeira e o fato de a torta não poder ser utilizada como alimento para animais são alguns fatores que criam barreiras para o plantio da oleginosa. Mas, para Neddo Zecca, consultor e engenheiro, a planta representa um avanço. “O pinhão-manso é excepcional, pois é uma planta multiuso”, comenta.
Para Liv Severino, pesquisador da Embrapa, ainda é cedo para começar o plantio do pinhão em larga escala. “É preciso investir em uma pesquisa intensa e contínua. Claro que não podemos esperar toda uma vida, mas é preciso dar garantias às pessoas que irão trabalhar com a planta”, diz. Liv fez parte de um grupo de pesquisadores brasileiros que foram conhecer a experiência da Índia com a oleginosa. “O contato deles com a planta é muito recente (dois anos), não há dados de produtividade e não existe tecnologia avançada”, comenta. Mesmo assim, o pesquisador acredita nessa cooperação. “Assim como o Brasil, a Índia tem experiência com agricultura, eles estão 30 anos na nossa frente no estudo e na produção de mamona”, acresecenta.
Univaldo Vedana, diretor da empresa de consultoria Biodieselbr, comanda um projeto piloto de pinhão-manso no norte do Paraná. Ele destaca o baixo custo da produção como fator que pode vir a atrair o pequeno agricultor. “Tem também a pouca atividade de colheita, duas pessoas são suficientes para o trabalho de coleta das sementes”, afirma. Para Univaldo, a oleginosa traz muitas vantagens. “A planta é socialmente correta e garante emprego no campo”, completa. Para os grandes produtores que pensam no pinhão com o intuito de investir na produção de biodiesel, Vedana faz uma ressalva. “Antes de plantar é preciso rever alguns fatores como, por exemplo, os impostos que o governo colocou no biodiesel como a Cide, Pis, Cofins e ICMS. Não podemos plantar sem linhas de crédito e sem garantias”, opina.
Agricultores presentes ao encontro estão divididos. Grupo de São Paulo que preferiu não ser identificado acredita ser cedo para investir no pinhão-manso e vai aguardar as pesquisas. José Lourenço, pequeno agricultor do sul de Minas Gerais, se animou com a nova planta. “Vou começar a cultivar o pinhão e ver no que vai dar”, brinca.
Além da Índia, o México, a China e o Egito desenvolvem pesquisas com o pinhão-manso. Atualmente, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) trabalha com a planta em quatro estações experimentais espalhadas em regiões diferentes. A finalidade é observar o comportamento da oleginosa em diversos ambientes.
Alexandre Augusto
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