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Pinhão manso vira nova matriz energética do Piauí |
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- Fonte: BiodieselBR
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terça, 21 junho 2005 |
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Comum no semi-árido, o pinhão manso é a nova matriz energética do Piauí
e está sendo plantada em larga escala pela empresa Brasil Ecodiesel
para a produção de biodiesel.
O gerente executivo da Fundação Birman, Paulo Coutinho,
afirmou que o pinhão manso é uma oleaginosa promissora para a produção
de biodiesel.
“Estamos em fase de pesquisa e o pinhão manso para dar frutos demora um ano”, disse Paulo Coutinho.
Segundo ele, apesar do pinhão manso demorar um ano para
produzir seus frutos, ao contrário da mamona, sua vantagem está no fato
de ser uma espécie perene, que vive entre 25 a 30 anos e pode dar
retorno financeiro muito grande.
A Brasil Ecodiesel está em fase de experiência com o pinhão
manso, muito resistente à seca e freqüente na paisagem do semi-árido.
A Brasil Ecodiesel plantou dez hectares de pinhão manso no
Piauí, em sua fazenda Santa Clara, no município de Canto do Buriti, e
cinco hectares em Minas Gerais.
O pinhão manso é uma planta da região do semi-árido e rica em
óleo. Atualmente os habitantes da região do semi-árido não utilizam a
planta e os frutos são desperdiçados porque têm muito óleo e não serve
para o consumo humano.
Paulo Coutinho afirmou que após um ou dois anos o pinhão manso
começa a dar frutos e garante safras anuais por 30 anos. O pinhão manso
tem oleosidade similar à mamona. “É uma planta muito resistente. É do
semi-árido e dá bastante, frutos”, falou Coutinho.
Lavradores estão vendo novas possibilidades
Os agricultores de Paulistana Paulo José Assis Neri, de 38 anos, pai de
três filhos, e José de Sousa, de 42 anos, não acreditam na
possibilidade de ganhar dinheiro com o plantio de mamona.
No ano passado, eles plantaram milho, feijão e mandioca em
suas terras, como fazem todos os anos, e continuaram trabalhando em uma
fazenda, onde ganham R$ 300 mensais, cada.
Na fazenda, porém, entre outras atividades, como a de cuidar
da criação de carneiros, Paulo José Assis Neri e José de Sousa
plantaram pouco menos de dois hectares com mamona, seguindo as ordens
do patrão, que está investindo no plantio.
“Eu não estava acreditando que desse certo, mas os pés de
mamona crescem e dão frutos rápido. Neste ano, quando recomeçarem as
chuvas, vou plantar mamona no meu terreno porque sei que vai dar
certo”, declarou Paulo José Assis.
Ele acha que a plantação de mamona vai reforçar seu ganho como
assalariado na fazenda. José de Sousa também planeja plantar mamona em
seu hectare de terra que possui na zona rural de Paulistana após o
êxito do plantio de seu patrão. A fazenda onde Paulo José e José de
Sousa trabalham vai aproveitar as sementes colhidas neste ano para
plantar uma área maior.
José de Sousa afirmou que o plantio da mamona tinha dado
melhor resultado se não tivessem errado e colocado duas sementes em uma
cova, quando deveria ser só uma.
O agricultor Hernani Vieira de Carvalho, de 56 anos, que
cultiva carnaúba em Patos do Piauí, afirmou que vai plantar mamona
junto com feijão, além de continuar com suas roças de milho e mandioca.
“É muito fácil plantar mamona"
Estado pode produzir 1 bilhão de litros de biodiesel por ano
O governador Wellington Dias afirma que o Piauí possui 1 milhão de
terras apropriados para a plantação da mamona e isso garante a produção
no Estado de 1 bilhão de litros de biodiesel por ano, gerando empregos
para cerca de 300 mil pessoas.
O gerente da empresa Brasil Ecodiesel, Júlio Armando Martinez,
disse que o Piauí está definitivamente inserido no mercado da mamona do
Brasil, que não existia.
Ele afirmou que os produtores de mamona agrupados na Fazenda
Santa Clara, da Brasil Ecodiesel, em Canto do Buriti, estão colhendo
uma supersafra, onde estão sendo colhidos cerca de 1,5 mil quilos de
sementes por hectare.
Júlio Armando Martinez prevê a colheita de 6 mil toneladas de
mamona nas plantações de Canto do Buriti, São Raimundo Nonato, Caracol,
Paulistana, Pio IX, Assunção e São Miguel do Tapuio. “Essa produção não
existia no ano passado. Isso significa mais renda para os os
produtores”, declarou.
Atualmente, 2,5 mil famílias piauienses de agricultores já
trabalham no plantio e colheita da mamona para a produção de biodiesel.
Na agricultura familiar, a produção da mamona está ficando em 400
quilos por hectare.
“Nos outros municípios precisamos trabalhar com a recuperação
do solo usado pela agricultura familiar”, comentou Júlio Armando
Martinez.
A produção média nacional é semelhante a da Bahia, que fica entre 600 a 700 quilos por hectare.
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