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Pinhão manso passa de vilão a herói Imprimir E-mail
- Fonte: Jornal Cana   
terça, 20 março 2007
Na busca por reduzir o custo de produção do biodisel, a Barralcool está desenvolvendo na macro-região de Barras do Bugres a cultura do Pinhão Manso, uma oleaginosa rica em óleo vegetal.

A cultura já foi aprovada no Estado de Mato Grosso para ser utilizada como reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Além disso, seu óleo será utilizado como matéria-prima na fabricação de biodiesel.

O pinhão manso beneficiaria a agricultura familiar de 14 municípios matogrossenses. O projeto é de iniciativa do conhecido deputado estadual René Junqueira Barbour, que também é acionista da Barralcool. Em parceria com o Governo do Estado e outras empresas, a Barralcool já começou a apoiar a cultura do pinhão manso, introduzindo semente e tecnologia. "Selecionamos as sementes, adquirimos e oferecemos acompanhamento técnico por meio de agrônomos contratados e especializados", informa o gerente Silvio Cezar Rangel.

"Por enquanto estamos produzindo biodiesel a partir da soja, mas acreditamos que o pinhão manso seja a saída para reduzir o custo da matéria-prima na fabricação", diz Cézar Rangel. "Sobretudo pelo alto teor de óleo vegetal que seu fruto proporciona. Rende 400 litros de óleo por tonelada. Ou seja, enquanto a soja esmagada rende 18% de óleo, o pinhão manso rende até 40%. E, também por ser agricultura perene, que dura até 60 anos de vida útil, por não exigir grandes cuidados e por nem precisar ser plantado, em razão de ser agreste, rústico.

Até o advento do biodiesel, o pinhão manso estava quase extinto no Mato Grosso. "Era um purgante para o gado", lembra Cezar Rangel.

"Provocava desarranjo, parecia ser altamente desagradável". Mas sempre se soube que a semente possuía propriedades incandescentes. Dizem as literaturas que em certa época do início o século, a cidade do Rio de Janeiro foi iluminada por óleo do pinhão manso.

O pinhão passou de vilão a herói em pouco tempo. Tudo graças à tecnologia do biodiesel e às pesquisas sobre suas peculiaridades. O que era problema ou maldição virou solução e bênção. Por exemplo, embora não seja comestível, e dificilmente se tornará, hoje sabe-se que a toxina do pinhão manso afasta insetos e que ela pode até ser usada como princípio ativo na fabricação futura de produtos repelentes.

O problema maior ainda está em retirar a casca do pinhão manso.
Universidades do MT e de outros estados já trabalham no desenvolvimento de máquinas capazes de retirar a casca da semente - que poderia ser usada como fertilizante. O que sobra é glicerina pura, a chamada glicerina loira, de tão clara, indicada até para a linha farmacêutica.

Aposta já está ganha
A Barralcool considera sua aposta nos biocombustíveis como já ganha.

Seus diretores entendem que a partir do momento em que a unidade entrou em operação a empresa passou a acumular economia de até 28% no custo final do biodiesel e economia geral de 15% a 20% maior, uma vez que a fábrica de biodiesel se beneficia de toda a estrutura da usina.

Essa simbiose entre a usina já existente e a nova resulta em minimização de custos pela otimização dos insumos, informa Silvio Cezar Rangel, gerente de biodiesel da nova unidade, contígua à Barralcool.