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Motivados pela perspectiva da instalação da primeira usina de biodiesel em Campina Grande já no próximo ano, pesquisadores, produtores e governo apostam no plantio em grande escala do pinhão manso e da mamona como alternativa econômica viável para mais de 100 municípios paraibanos localizados na região do semi-árido.
Ontem, foi realizado no auditório do Hotel Ouro Branco, em João Pessoa, o “Seminário de Biocombustível”, tendo como foco no Programa de Biodiesel do governo federal. No centro das palestras e debates estavam as experiências nacionais e internacionais com as culturas das oleaginosas, sobretudo do pinhão manso, que vem recebendo maior atenção do Programa de Biodiesel do governo federal. As experiências da cultura do pinhão manso no município de Patos (na Fazenda Tamanduá) e na China, com a participação dos pesquisadores Zhang Zlu Lin e Chen Fangna, foram os destaques no seminário. Devido à produção perene no ano e longevidade (50 anos), além da facilidade em adaptar-se ao clima, à pluviometria e ao solo do semi-árido, a cultura do Jatropha curcas, popularmente conhecida como pinhão manso, leva vantagem até sobre a cultura da mamona. Com período de colheita menor e também melhor custo benefício deverá ser uma promissora alternativa para a Paraíba. “O pinhão manso pode ser cultivado desde o nível do mar até em altitudes, se adapta tanto nos terrenos de encosta, áridos e úmidos, além de produzir bem em terras de pouca fertilidade, a colheita se estende por cerca de seis meses, o custo é mais barato e tem alta produção”, diz o professor de Engenharia Florestal da UFPB, Ricardo Viegas, que trabalha na Fazenda Tamanduá, no município de Patos, onde foi iniciado há mais de dois anos experiências com o plantio de pinhão manso.
Segundo o professor, diante do regime irregular de chuvas do Sertão paraibano, o pinhão manso tem uma vantagem única dentre outras plantas oleaginosas. O seu ciclo produtivo se estende por mais de 50 anos. No comparativo com a mamona, que precisa ser replantada a cada um ou dois anos, a planta do pinhão é perene e precisa apenas ser podada. Como o agricultor não terá necessidade de plantar novamente a cultura por mais de 40 anos, o custo de produção fica bastante reduzido. “Acho que chegou a vez do pinhão manso. A experiência na Fazenda Tamanduá está comprovada e a nossa expectativa é de que a planta se torne uma alternativa promissora em relação à mamona. No entanto, devemos realizar mais pesquisas”, disse ele.
* Governo garante apoio aos projetos de cultivo
Para o coordenador do Programa de Energias Renováveis do Centro de Pesquisa da Petrobras, Alberto Fontes, “o seminário pode ser o marco mobilizador para produtores paraibanos, além dos pesquisadores das universidades e dos órgãos de pesquisa do Estado, que precisam de investimentos fortes do Estado no plano de pesquisa”, ressaltou Fontes.
Para o secretário de Planejamento e Gestão, Franklin Araújo, o seminário vai servir para consolidar a formulação da política de biodiesel no Estado. O secretário acrescentou, no entanto, que o papel do Estado será de “fomentador e estimulador da política de biocombustíveis já que o interesse do negócio é da iniciativa privada”. No entanto, Franklin Araújo afirmou que “não faltará disposição dos órgãos de pesquisa do governo do Estado para oferecer orientação e apoio técnico ao projeto das oleaginosas”. Ele lembrou ainda a promessa renovada na última semana do presidente Lula para a instalação de uma usina de biodiesel em Campina Grande já no próximo ano. “O compromisso de Lula ao governador Cássio em Brasília de efetivar a usina será mais um impulso para o programa e a iniciativa privada”, ressaltou. A estimativa é de que a instalação da usina ative o setor de plantio das oleaginosas e gera mais de dez mil empregos diretos.
* JEAN GREGÓRIO
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