Manual de Biodiesel

Mapa do Biodiesel
RSS Feed
Início arrow Notícias arrow Pesquisador da UnB aposta no pinhão-manso para levar o país à competitividade
 
Pesquisador da UnB aposta no pinhão-manso para levar o país à competitividade Imprimir E-mail
- Fonte: UnB Agência   
sexta, 31 março 2006

O Brasil ainda é um país dependente do mercado externo no que diz respeito ao consumo de óleo diesel. Por ano, o país importa 5,12% do total consumido, o equivalente a cerca de US$ 891,2 milhões. Mas esse quadro vai mudar. Por quê? O governo federal está investindo em pesquisas na área de energias alternativas e há uma determinação legal de que, até 2008, 2% de todo o óleo diesel do país seja acrescido desse combustível vegetal. Com isso, a estimativa do Ministério das Minas e Energia é que a importação caia, e assim, o país economize em torno de US$ 348,3 milhões por ano. Outra boa notícia é que a produção brasileira do biodiesel já chegou a 1.118 milhões de litros por ano, valor superior aos 840 milhões de litros necessários para atender à determinação da lei referente aos 2%.

De olho nesse potencial, o pesquisador e professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB) Joel Rubim aposta na utilização de sementes de pinhão-manso e dendê (veja lateral) como matérias-primas principais para a produção do biodiesel no país. Segundo Rubim, o óleo extraído desses materiais possui propriedades capazes de produzir combustível de qualidade e competitivo internacionalmente. A análise foi apresentada na terça-feira, 28 de março, na palestra Combustíveis Alternativos a Partir de Diferentes Óleos Vegetais: Parâmetros Físico-Químicos, parte do seminário Potencial do Pinhão-manso para o Programa Nacional do Biodiesel, realizado entre 28 e 30 de março, no auditório Dois Candangos da UnB.

ALTA PRODUTIVIDADE
- Para fazer essa afirmação, Rubim parte da análise de propriedades físico-químicas das duas fontes e explica que as características do óleo extraído do pinhão-manso superam, inclusive, o padrão de qualidade do óleo colza, comercializado hoje na Europa. O produto extraído do dendê seria outra opção para o país. No entanto, o potencial brasileiro para o uso dessas matérias-primas vai além de propriedades como densidade e viscosidade. Eles incluem também aspectos ambientais e econômicos.

Embora as duas plantas sejam originalmente africanas, elas se adaptaram bem ao clima e solo brasileiros. Em um hectare de terra, é possível produzir 2,5 mil quilos de semente de pinhão-manso e 4,5 mil quilos de dendê. A produtividade é mantida por 30 anos no primeiro caso e por 25 no segundo. Em geral, a cada tonelada de óleo vegetal é possível produzir 990 quilos de biodiesel, cerca de 99% de aproveitamento na conversão.

EMPREGOS - Além desses fatores, as duas espécies de plantas são propícias ao reflorestamento e o cultivo de pinhão-manso é possível até em locais semi-áridos, muitas vezes, considerados improdutivos. “Se plantássemos dendê em 30% da área desmatada da Amazônia, seria possível produzir óleo suficiente para converter em biodiesel de forma que eliminaríamos a necessidade de petróleo no Brasil”, aposta Rubim.

A produção de óleo vegetal também auxiliaria no desenvolvimento das regiões onde serão cultivadas as plantas. Cada hectare de plantação empregaria, pelo menos, uma família. Além disso, outros empregos seriam gerados na conversão e na comercialização.

Aguardem, em breve informações completas sobre como foi este seminário. Fique ligado.