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Perspectiva do pinhão-manso atrai centenas em dia de campo Imprimir E-mail
- Fonte: MS Notícias   
quarta, 07 junho 2006

Produtores, agricultores rurais, estudantes, técnicos e pesquisadores reuniram-se nesta quinta-feira, na Fazenda Laguna, em Eldorado-MS, para participar do 1º Dia de Campo sobre a cultura do pinhão-manso, promovido pela empresa Rural Biodiesel S/A, com o apoio da Prefeitura de Eldorado e em parceria com a Fundação MS e mbrapa Agropecuária Oeste, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


O pinhão-manso, planta perene e nativa das Américas, possui características interessantes para ser adotado como alternativa na produção de biodiesel, entre elas: excelente potencial de rusticidade, tolerância à seca e geada, sementes com teor de óleo de 35 a 38% e a torta, apesar de tóxica para consumo humano e animal, pode ser aproveitada na produção de adubos orgânicos.

Fatores esses que foram assinalados pelo gerente da Rural Biodiesel S/A Maurício Möller, durante a abertura do evento. Ele mencionou também como vantagens a possibilidade de consórcios com outras culturas, como milho e feijão e o aumento de emprego e renda, por isso “a parceria Rural Biodiesel, Fundação MS e Embrapa foi fundamental para o estudo da espécie. O experimento da Embrapa avaliou espaçamento, crescimento e desenvolvimento, pontos chaves na produção”.

Chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Mário Urchei ressaltou que “em meio às crises é preciso buscar alternativas e a agroenergia mostra-se um caminho possível, ambiental, social e economicamente”. Urchei aproveitou o momento e contou aos participantes que está em fase de estruturação a Embrapa Agroenergia, um centro de pesquisa que será instalado em Brasília-DF, mas atuará em rede com várias Unidades e a Embrapa Agropecuária Oeste será uma delas. “Estamos empenhados na diversificação do produtor e o pinhão-manso apresenta-se como uma importante opção de oleaginosa para a produção de biodiesel. Entretanto, precisamos conhecer melhor a cultura e desenvolver sistemas de produção adequados para a nossa região”.

Experimentos - uma lavoura com 16 hectares de pinhão-manso e com sete diferentes espaçamentos foi instalada na Fazenda Laguna. Plantada em novembro do ano passado, a lavoura floresceu aos 120 dias, com maturação irregular e a primeira colheita deve ocorrer em julho.

Os primeiros resultados a campo foram demonstrados pelos pesquisadores da Embrapa e Fundação MS. O pesquisador de Agroenergia e Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste, Renato Roscoe, explicou que a planta cresce, em média, de 5 a 12 metros dependo do espaçamento, podendo produzir 2 mil/l/ha/ano, “porém frisamos que esses números são estimativas, já que essa lavoura ainda não produziu. Além disso, a espécie precisa ser domesticada antes de recomendada e é isso que estamos buscando com os experimentos”.

Aos 90 e 180 dias foram feitas medições de altura e diâmetro de copa. Com três meses, a planta estava com 90 cm de altura e 120 de diâmetro; aos 180 dias, a altura passou para 190 cm e 2 metros de copa. “Mas observamos que não houve variação desses valores nos diferentes espaçamentos adotados e os frutos e cachos produzidos não nos permitem indicar, por enquanto, a escala de produtividade”, ressalva Roscoe. Com relação a doenças e pragas, notou-se “a forte presença de ácaro e mofo branco, problemas de fácil controle a partir de aplicações com enxofre”, ameniza.

Também foram mostrados resultados de experimentos com pinhão-manso em casa de vegetação, conduzidos pelo pesquisador da Embrapa, Carlos Hissao Kurihara, onde foram trabalhadas calagem e adubação com fósforo e potássio e analisadas as respostas iniciais da cultura. Segundo ele, com cerca de 40 dias a planta apresentou uma notável produção de caule e “em solos argilosos e arenosos, a maior resposta da cultura foi à adubação fosfatada. Isso não proporciona uma recomendação de adubação, mas são bases para levarmos a campo”.