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Mesa redonda discute potencial do pinhão manso Imprimir E-mail
- Fonte: Assessoria   
quinta, 20 setembro 2007

Uma das plantas que é apontada como uma das que possui maior potencial para a produção do biodiesel foi o tema da mesa redonda que ocorreu na tarde de quarta-feira, dia 19, no Biodiesel BR 2007. O evento, promovido pela UFMT no Centro de Eventos do Pantanal, discute até o dia 20 o papel do Brasil no cenário internacional de biocombustíveis.


Os trabalhos foram coordenados pela professora da UFMT, Elisabeth de Mendonça, e tiveram como participantes o pesquisador da Embrapa, Renato Rascoe; o pesquisador da Empaer, Valter Martins; e o responsável pela divisão de biodiesel da Usina Barralcool S/A, Silvio Rangel. Todos reconheceram o potencial do óleo produzido pela planta para a produção do biocombustível, mas o problema é o cultivo da planta, que ainda não é totalmente conhecido.


Para Renato Rascoe, o pinhão manso deve ser visto como uma cultura semelhante a outras e que precisa de pesquisas para estabelecer se ela serve para a produção em escala suficiente para fornecimento para as usinas de biodiesel. “Há muitas informações sobre a planta, mas nossa preocupação como pesquisador é saber se realmente o potencial produtivo apontado em bibliografias pode ser comprovado”, explica.


E isso só pode ser feito através de pesquisas cientificas, como a que a Embrapa está desenvolvendo há dois anos e meio. Segundo ele, a oleaginosa tem duas vantagens frente as demais para a produção de biodiesel: é um óleo não comestível, ou seja, não compete com a produção de alimentos; e tem excelente qualidade para a produção do combustível renovável.
“Pode ate ser que o pinhão manso seja um bom negócio para o pequeno produtor, desde que ele seja encarado como uma cultura que exige conhecimento e acompanhamento técnico, assim como qualquer outra cultura perene”, defendeu Renato. Ele acrescentou ainda a questão de a colheita ser feita manualmente também favorece o pequeno agricultor.


A opinião é compartilhada pelos demais participantes da mesa redonda, que afirmam que somente através da pesquisa se poderia indicar com propriedade o plantio do pinhão manso como um bom negócio para os pequenos produtores. No momento, há apenas o potencial para isso, ou seja, não se tem ainda dados conclusivos sobre o cultivo da espécie em grande escala.
“Não há duvidas que o óleo serve para o biodiesel. O que temos duvidas é quanto ao plantio do pinhão manso. E precisamos de pelo menos quatro anos de pesquisa para saber se todo o potencial produtivo da planta será comprovado”, explicou Silvio Rangel, informando que a Barralcool, desde o ano passado, realiza pesquisas com a espécie em parceria com a Empaer, Unemat e Epamig.


O pesquisador da Empaer acrescentou que a principal preocupação da entidade é com o pequeno produtor, através da extensão rural. “Acreditamos no potencial do pinhão manso, mas só iremos indicar essa cultura para a produção do biodiesel para nosso público quando as pesquisas indicarem essa viabilidade”, declarou Valter Martins.  


O Biodiesel BR 2007 encerra nesta quinta-feira, dia 20, com conferências e mesas-redondas. O evento é realizado pela UFMT, com apoio do Centro de Pesquisa do Pantanal-CPP, Banco da Amazônia, Secretaria de Estado de Indústria Comercio Minas e Energia-SICME, Sebrae, ANP, OCB/MT, Petrobras, BNDES, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Integração Nacional e Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste.