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Embrapa busca alternativas à mamona |
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- Fonte: Valor Econômico
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segunda, 17 julho 2006 |
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As fichas da estatal estão depositadas no pinhão
manso, um arbusto que apresenta, pelo menos em tese, produtividade de
até 2,5 toneladas por hectare, ante 600 quilos de mamona por hectare
quando em área de sequeiro.
A Embrapa Semi-Árido está estudando alternativas à mamona como fonte
para a produção de biodiesel em áreas de sequeiro da região Nordeste.
E, nesse sentido, as fichas da estatal estão depositadas no pinhão
manso, um arbusto que apresenta, pelo menos em tese, produtividade de
até 2,5 toneladas por hectare, ante 600 quilos de mamona por hectare
quando em área de sequeiro.
"Ainda é cedo para adiantar qualquer resultado, que só deve começar
aparecer em dois anos. Mas trata-se de uma alternativa a mais para os
produtores do semi-árido, que hoje não estão conseguindo fazer a
produção de mamona decolar a despeito de toda propaganda feita", afirma
Marcos Antônio Drumond, pesquisador da Embrapa Semi-Árido e coordenador
da pesquisa em torno do pinhão manso.
Segundo pesquisadores, o biodiesel de mamona, alardeado pelo governo
federal como a melhor opção de renda para o semi-árido nos últimos
tempos, não decolou e nem vai decolar tão cedo. As razões para isso
estão nos baixos preços da semente de mamona. A semente seca da
"carrapateira", como é conhecida no sertão, não tem encontrado
comprador nem mesmo por R$ 0,25 o quilo, na região do vale do submédio
São Francisco.
Inicialmente, o preço projetado pelos programas oficiais de incentivo
ao biodiesel de mamona chegava a R$ 1,50. "Os agricultores não
encontram para quem vender. Faltam garantias de preço, crédito para o
plantio e garantias de venda".
Segundo Drumond, os agricultores que firmaram contrato diretamente com
algumas empresas produtoras de biodiesel têm conseguido melhores
preços, mas ainda assim bem distantes das previsões iniciais. Nas
melhores situações, o preço do quilo da semente chega a ser
comercializado por R$ 0,55, em volumes de até 500 quilos por hectare.
Acima desse volume paga-se R$ 0,10 por quilo excedente.
"Hoje em dia só viver de plantar mamona não dá resultado. Os produtores
de Irecê [BA] são os maiores do país porque fazem a cultura da mamona
consorciada com outras, como o feijão. É necessário buscar alternativas
para as diversas áreas do semi-árido, e essas pesquisas estão começando
agora", diz Marcos Antônio Drumond.
Ele explica que o pinhão manso mostra-se viável para o semi-árido
também porque uma planta chega a produzir por até 40 anos. O rendimento
na produção de óleo situa-se entre 28% e 40% - abaixo da mamona, que
pode render algo entre 46% e 50%. "Mas a mamona não suporta competição
durante os dois primeiros meses de vida e precisa ser renovada a cada
dois anos, além de também não suportar altitude", diz. No caso do
pinhão, há outra vantagem: o volume de água necessários é baixo.
O uso do pinhão manso na produção de biodiesel já acontece em países
como Índia e Tailândia. Outros Estados do país, como Bahia e Minas
Gerais, também desenvolvem pesquisas com o arbusto desde 2005. No caso
da Embrapa, o pinhão manso vem sendo testado em três campos
experimentais em Petrolina (PE), Glória (SE) e Senhor do Bonfim (BA).
Nesses pontos estão sendo avaliadas questões como espaçamento entre as
árvores, tipos de poda, necessidade hídrica e produtividade em áreas de
sequeiro, entre outras.
Paulo Emílio
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