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Cabo Verde: Opção pelo pinhão manso |
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- Fonte: A Semana online - PT
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segunda, 30 julho 2007 |
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Não há nenhum exagero nesta definição. Ouro verde ou Purgueira, Jatropha curcas é a mesma coisa. É, na minha opinião, o ouro com que Cabo Verde pode contar no futuro e até que a nossa espécie descubra uma forma de energia extraordinária, inesgotável e que vire a verdadeira primeira página da história da humanidade.
Concordo que Cabo Verde é um país sem grandes recursos comparado com outros países ou regiões de igual dimensão mas dotados de outras possibilidades. Não me parece no entanto interessante fazer comparações porque acabam sempre em confusão pela simples razão de que fazer comparações não significa avaliar. Por exemplo, chove muito pouco em Cabo Verde e por isso este país é pobre, diz-se. Chove quase todos os dias nos Açores, e esta é uma das regiões mais pobres da Europa, e é de facto por estranho que pareça.
Nos Açores, por exemplo, a Purgueira, Jatropha curcas, não se dá de modo algum. Ao contrário, Cabo Verde é um paraíso para esta planta. Que fazer? Comparar ou avaliar? Os Açores terão que encontrar a melhor forma de contornar os combustíveis fósseis. Por isso cada um avalia e estimula as suas capacidades.
O Dr. António Correia e Silva salienta o fenómeno dos ciclos económicos em Cabo Verde, como a chave para compreendermos por que não há determinismos na história nem ela se faz sem solavancos, por vezes telúricos. Nos Açores não foi diferente. Pelos vistos parece ser um dado científico comprovado e aceite, esse dos ciclos económicos como motor de desenvolvimento ao longo das épocas.
Os ciclos económicos parecem ser imprevisíveis por onde e quando irão começar, e são de facto. Um novo ciclo económico que está a desenhar-se em Cabo Verde apesar de não ter data nem local marcado, parece inevitável: o ciclo da energia.
Há muito que se sabe que o consumo de combustíveis fósseis debita para a atmosfera mais CO2 do que a capacidade imediata que os oceanos têm em absorver essas partículas. Não é que o planeta, com os seus 3.500 milhões de anos a suportar a vida, se incomode, mas o que poderia acontecer num espaço de tempo normal torna-se agente de muitos efeitos no eco sistema e por conseguinte nos nossos planos de vida. O melhor mesmo é reduzir as nossas emissões de CO2 porque os principais prejudicados no teatro da vida somos nós.
É neste contexto que devemos “chamar Cabo Verde à razão”. Cabo Verde é um País com capacidades extraordinárias para contornar bastante a sua dependência energética, ajudar a baixar as emissões de CO2, poupar divisas que tanta falta nos faz, aumentar o investimento público, aumentar o emprego e a ocupação, e sobretudo, valorizar a propriedade agrícola e a participação dos seus filhos rurais, de todas as condições sociais, nesta batalha que se avizinha: queimar menos petróleo.
Todas as formas de energia alternativas desde que não emitam CO2 para a atmosfera são boas por enquanto. Mas há uma energia que além de não emitir CO2, por isso “limpa”, ainda por cima tem um enorme impacto positivo na sociedade: essa energia chama-se biodiesel. Essa energia é extraída (entre outras plantas) do óleo de Purgueira, Jatropha curcas uma planta sobejamente conhecida do mundo rural cabo-verdiano desde há dois séculos pelo menos.
Cabo Verde, querendo, pode dar um passo importante na sua economia, nas suas relações internacionais, no seu desempenho como país em desenvolvimento. O desafio é político e simples: optar pela produção de biodiesel a partir do óleo de Purgueira.
A opção é inteligente e pode mudar a face do mundo rural cabo-verdiano agora que o preço do petróleo não tem rédea nem se calculam as consequências da queima sistemática desse maravilhoso combustível, o petróleo.
Aproxima-se um período nobre deste País Livre e Democrático, o debate sobre o Estado da Nação. Um momento de exercício pleno da Democracia que certifica o desempenho de uma Nação moderna. Nesse contexto o problema da Energia é de facto um problema, mais do que nunca, incontornável. A Purgueira é o ouro verde que pode fazer de Cabo Verde um país menos pobre e muito mais moderno, um País com efectivo assento nessa discussão planetária sobre o clima.
A opção pelo retorno ao cultivo da Purgueira pode mobilizar muitos milhares de proprietários de terrenos quase improdutivos, fixar pessoas no campo, aumentar o emprego, dar oportunidade aos emigrantes, mesmo ausentes, de rentabilizar as suas propriedades, criar uma indústria rica em derivados químicos, gastar menos divisas na importação de combustível fóssil... enfim, modernizar o País.
A maior e mais importante ferramenta para acrescentar uma página no desenvolvimento efectivo de Cabo Verde está no seu Parlamento. Essa energia alternativa, o biodiesel, só aguarda um sinal dessa Instituição, a mais soberana, para mudar o País e assegurar um futuro de maior esperança aos seus filhos.
Sérgio Alves
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