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Assentados produzem pinhão manso para biodiesel |
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- Fonte: Folha da Região - Araçatuba/SP
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terça, 08 maio 2007 |
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De acordo com o técnico, o pinhão-manso tem boa produtividade em terras pouco férteis, em diferentes condições de solo e em climas secos ou úmidos.
Famílias de assentamentos da região já dedicam parte das plantações a culturas voltadas para o biodiesel, combustível tido como ecologicamente correto, uma alternativa ao diesel de petróleo.
A mamona apareceu como primeira opção, mas a escassez de investimentos em fábricas, o excesso de oferta e o preço da saca da matéria-prima reduziram o interesse dos produtores em cultivá-la, segundo o técnico de Desenvolvimento Agrário da Fundação Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo), Milton Oliveira Gonçalves.
De acordo com ele, diante desse quadro, o pinhão-manso ganhou espaço. A cultura é considerada uma das mais promissoras devido à facilidade de adaptação da planta. De acordo com o técnico, o pinhão-manso tem boa produtividade em terras pouco férteis, em diferentes condições de solo (arenoso, calcário, salino, pedregoso) e em climas secos ou úmidos.
Gonçalves acompanha a produção do pinhão no assentamento Orlando Molina, em Murutinga do Sul. O lavrador Alberto Braga, 42 anos, proprietário de 14 hectares no assentamento, é um dos que se dedicam à cultura. Para ele, o pinhão favorece a diversificação de cultura porque pode ser cultivado com outras plantações. Em meio às árvores do pinhão, Braga pretende manter uma pastagem para o gado. Nesse caso, ele foi orientado a deixar a planta atingir pelo menos 30 centímetros antes de soltar os animais em meio ao cultivo. Com baixa toxidade, o pinhão não provoca danos ao gado caso ele venha a ingerir as folhas, o que é pouco provável, pois são amargas, segundo Gonçalves.
Outro assentado que também dedica parte do lote para o plantio do pinhão é o lavrador José Paulo de Oliveira, 63. Ele prepara a terra para plantar feijão entre as árvores oleaginosas. O responsável técnico Clóvis Marinheiro, do Itesp, vê a produção do pinhão como uma forma de poupança para os produtores, devido à possibilidade de plantio de mais de uma cultura ao mesmo tempo.
Segundo ele, até colher as primeiras frutas, onde estão as sementes para extração do óleo destinado à fabricação do biodiesel - ciclo que leva aproximadamente dois anos - o produtor mantém seu sustento com outras culturas.
Para Marinheiro, a comercialização do pinhão-manso é tão certa que empresas oferecem gratuitamente sementes e mudas para os produtores sem contrato. "As fábricas querem ter pelo menos com quem negociar e o mercado está aberto", afirma.
Segundo estimativas, a produção de 2 mil a 3,5 mil litros de óleo por hectare pode garantir uma renda média anual de até R$ 4,5 mil. A tonelada é comercializada por um preço médio de R$ 300. O Itesp aparece como um dos grandes incentivadores da produção na região, mas o coordenador regional do órgão, Marco Aurélio Pilla, ressalta que não defende a monocultura nos assentamentos. De acordo com ele, o incentivo só acontece pela possibilidade do pinhão servir como uma diversificação de produção e alternativa de geração de renda para a agricultura familiar.
Os movimentos sociais, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), ainda mantêm restrições ao cultivo de plantas para o biodiesel em razão da lucratividade alta, que pode desviar o foco dos assentamentos de manter culturas de subsistência. "Temos que discutir muito o assunto porque a cana também apareceu como alternativa de produção e, hoje abocanhada pelos grandes produtores, virou um cultivo de concentração de terra e de renda", afirmou o dirigente estadual do MST, Lourival Plácido de Paula.
SELO - Um programa do governo federal de lançar o Selo Combustível Social, que obriga os produtores de biodiesel a comprar, no caso da região, 30% da produção da agricultura familiar, também é considerado um dos grandes motivadores aos assentados a se dedicar ao cultivo das oleaginosas.
O governo promete que por meio do selo de combustível social, o produtor de biodiesel terá uma série de vantagens, como acesso a alíquotas de PIS/Pasep e Cofins com coeficientes de redução diferenciados, acesso às melhores condições de financiamento no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e outras instituições financeiras. Para a agricultura familiar, está à disposição uma linha de crédito adicional do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) para o cultivo de oleaginosas.
Juliano Silva |
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