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Guia Rural: Ano 1986 Imprimir E-mail
- Fonte: Administrator   
segunda, 27 março 2006

Culturas de A a Z, publicada pelo Guia Rural Abril 1986:

"Entre as experiências feitas com vegetais para uma futura substituição do óleo diesel como combustível, destacaram-se como plantas de alta possibilidade o pinhão-manso (Jatropha curcas L.), também conhecido como pinhão-de-purga, pinhão-paraguai, manduri-graça, mando-bi-guaçu e pião, e o pinhão-bravo (Jatropha pohliana M.), também conhecido como pinhão-branco. Tanto o pinhão-manso como o pinhão-bravo vêrn sendo utilizados comumete como cerca viva, mas o pinhão-manso é usado também para a extração de óleo que serve para a fabricação de sabão e como purgativo para o gado bovino. Ensaios feitos com o óleo extraído do pinhão-manso (óleo-de-purgueira), comparando-o com o diesel, deram bons resultados. Num motor diesel, para gerar a mesma potência, o consumo de óleo-de-purgueira foi 20% maior, o ruído mais suave e a emissão de fumaça, semelhante. Considerou-se também possível o uso desse óleo não apenas como combustível, mas também na indústria de tintas e de vernizes. Análises posteriores mostraram que o óleo de pinhão-manso tem 83,9% do poder calorífico do óleo diesel e o óleo de pinhão-bravo, 77,2%. Se o óleo de pinhão-manso for usado como substituto do diesel, o consumo será 16,1% maior; se a experiência for feita com o óleo de pinhão-bravo, será 21,8% maior. Além disso, a torta que resta é um fertilizante rico em nitrogênio, potássio, fósforo e matéria orgânica. Desintoxicada, a torta pode também ser transformada em ração, como tem sido feito com a torta de mamona. E a casca dos pinhões pode ser usada como carvão vegetal e matéria-prima na fabricação de papel.

Descrição

O pinhão-manso é um arbusto ou árvore com até 4 m de altura, flores pequenas, amarelo-esverdeadas, cujo fruto é uma cápsula com três sementes escuras, lisas, dentro das quais se encontra a amêndoa branca, tenra e rica em óleo. A semente contém 66% de cascas, fornece de 50 a 52% de óleo extraído com solventes e 32 a 35% em caso de extração por expressão (trituração e aquecimento da amêndoa). O pinhão-manso tem folhas em forma de coração, e o pinhão-bravo, folhas mais alongadas. Outra diferença entre ambos é que os frutos do pinhão-bravo são deiscentes, isto é, ao atingir a maturidade, abrem-se, deixando cair as sementes. A semente do pinhão-manso pesa de 0,48 a 0,72 g e a do pinhão-bravo, de 0,22 a 0,39 g, Essas plantas ocorrem espontaneamente desde o Maranhão até o Paraná. Em alguns lugares, sem distinção de espécie, são chamados, além dos nomes já referidos, de purgueira, grão-de-maluco, pinhão-de-cena, tuba, tartago, tapete, siclité, pinhão-de-inferno, figo-do-infemo, pinhão-das-barbadas e saci.

Pinhão Manso e Pinhão Bravo

O pinhão-manso tem folhas em forma de coração, e o pinhão-bravo, folhas mais alongadas. Outra diferença entre ambos é que os frutos do pinhão-bravo são deiscentes, isto é, ao atingir a maturidade, abrem-se, deixando cair as sementes. A semente do pinhão-manso pesa de 0,48 a 0,72 g e a do pinhão-bravo, de 0,22 a 0,39 g, Essas plantas ocorrem espontaneamente desde o Maranhão até o Paraná. Em alguns lugares, sem distinção de espécie, são chamados, além dos nomes já referidos, de purgueira, grão-de-maluco, pinhão-de-cena, tuba, tartago, tapete, siclité, pinhão-de-inferno, figo-do-infemo, pinhão-das-barbadas e saci.

Cultura do pinhão-manso

Pode-se obter boa multiplicação das plantas por meio de sementeiras ou por estacas. Por estacas, a multiplicação é mais rápida, mas gera unidades menos resistentes. A média geral de germinação das estacas não chega a 50% (é de cerca de 45%). E as estacas com mais de 2 cm de espessura proporcionam maior índice de germinação. O espaçamento ideal entre elas é de 2 x 3 m. Em sementeira, a germinação pode chegar a quase 100%, usando-se sementes novas, de boa conformação. Aconselha-se, no caso, o uso de sacos plásticos pretos, como cobertura, para evitar a ação direta dos raios solares. Cultura do pinhão-bravo — O melhor método é o do aproveitamento das mudas naturais existentes junto às plantas-mães, originadas das sementes que caem, já que essa espécie é deiscente. Outro método é o de estacas, que devem ter cerca de 80 cm, com as duas extremidades em bisel, ou seja, cortadas obliquamente, chanfradas.

Futuro

Sendo uma cultura existente de forma espontânea em áreas de solos pouco férteis e de clima desfavorável à maioria das culturas alimentares tradicionais, o pinhão pode ser considerado uma das mais promissoras oleaginosas do sudeste, centro-oeste e nordeste do Brasil, apresentando ainda como vantagens o fato de não ser afetado (até o presente) por nenhuma praga. É altamente resistente a doenças e os insetos não o atacam, pois ele segrega latéx cáustico que pode causar problemas a pele".