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Aspectos Gerais da Cultura Conforme se observa nas Ilhas de Cabo Verde, onde o pinhão-manso representa um fator econômico, a planta vegeta desde o nível do mar até em altitudes superiores a 1000 m, adaptando-se tanto nos terrenos de encosta, áridos, como em solos úmidos, embora as melhores condições de crescimento da euforbiácea ocorram nas altitudes entre 600 e 800 m.
CultivoPode-se obter boa multiplicação das plantas por meio de sementeiras ou por estacas.
O ciclo produtivo do Jatropha curcas é variável, conforme se faça o plantio por estacas ou por sementes. Segundo informações obtidas nas áreas de incidência em Minas Gerais. a produção por via vegetativa tem início após 10 meses, mas só atinge a plenitude após 2 anos. A propagação por via seminal, por outro lado, é mais demorada, mas esse processo tem a vantagem de gerar espécies mais robustas, normalmente de ciclo vegetativo mais longo, podendo atingir 100 anos de vida.
Produtividade
Não obstante sua tolerância com respeito aos rigores da seca, o nível de produtividade do pinhão-manso é bastante afetado pela distribuição irregular de chuvas ou mesmo pela ação prolongada de ventos na época da floração.
Diferentemente das zonas equatoriais, onde o pinhão-manso floresce duas vezes por ano. Em Minas Gerais a colheita das sementes ocorre apenas uma vez, pelo menos nas condições de desenvolvimento espontâneo da planta, embora a produção se distribua entre janeiro e julho, quando então o pinhão-manso entra em repouso vegetativo, com perda das folhas, até o início das chuvas em outubro, período que começa nova brotação.A maturação dos frutos é completa com o escurecimento das cápsulas; à colheita, segue-se a secagem ao ar, onde são amontoados, prática que provoca a deiscência espontânea dos frutos; depois separam-se as sementes por meio de trilhadoras e peneiras.
ColheitaO método mais prático e rápido de colheita dos frutos, ao contrário do processo tradicional de catação manual, é fazendo vibrar o pé do pinhão, a meia altura, o que provoca a queda apenas dos frutos maduros. Neste caso, pode-se adaptar uma lona sobre o solo para tornar a colheita mais simples, e leva-se, então, a carga de frutos ao sol para a secagem.
RendimentosOs rendimentos de sementes por pé são variáveis conforme as condições edafo cliimáticas, regularidade pluviométrica e trato durante o cultivo. De acordo com os dados obtidos de plantios organizados de pinhão-manso, desenvolvidos no Centro Experimental de Ségou, na antiga África Ocidental Francesa, a produtividade da cultura alcançava índices em torno de 8.000 Kg de sementes por hectare.
Plantio e Adubação
O aproveitamento dos resíduos da extração como adubo natural nos próprios plantios da euforbiácea, além de enriquecer o terreno de matéria orgânica, ira incorporar ao solo quantidades acentuadas de nitrogênio, fósforo e potássio, presentes em índices elevados na torta residual, contribuindo para manter um nível de produtividade mais regular da cultura e diminuindo o consumo dos fertilizantes químicos.
A adubação verde com leguminosas é outro procedimento recomendado para a fertilização dos campos cultivados com o pinhão-manso, pois, de modo geral, fornecem altos rendimentos por unidade de área plantada, fixando o nitrogênio atmosférico e transferindo aos solos, por decomposição orgânica, os elementos nutrientes essenciais como fósforo, cálcio ou enxofre além do nitrogênio. Entre as principais leguminosas , destaca-se a Crotolaria paulina Schranck, ou mucuna preta como vulgarmente é conhecida, cuja produção de massa seca por hectare atinge índice ao redor de 7 toneladas anuais, as quais podem transferir ao solo cerca de 195 Kg de nitrogênio, 23 Kg de P2O5 e 144 Kg de K2O por hectare.
A consorciação do pinhão-manso com culturas de ciclo anual é outra prática agrícola de grande alcance no êxito econômico da cultura, proporcionando maior rentabilidade pelo uso intensivo do solo. Tendo em vista as condições edafo climáticas das áreas de maior aptidão ao cultivo do pinhão-manso, sugere-se a utilização de plantios intercalares com o amendoim, que além de aumentar a oferta de óleos vegetais por unidade de área, apresenta como outras leguminosas, a vantagem de promover a fertilização dos solos.
As técnicas agronômicas empregadas na cultura da mamona podem também ser adaptadas aos plantios de pinhão-manso, ressalvando-se, no entanto, que sendo este último bem mais rústico e tolerante, certamente dispensará de maiores cuidados culturais. A planta se adapta melhor, entretanto, em solos de boa consistência, pouco compactos para não prejudicar o seu sistema radicular.
PragasEntre as pragas nocivas ao desenvolvimento do pinhão-manso, que não são muitas, consequência da presença do látex cáustico nas diversas partes da planta, incluem a Corynorhynchus radula, Stiphra robusta Leitão, Retithrips syriacus Mayet, Pachycoris torridus Scopoli e Sternocolaspis quatuordecim Costata.
PerspectivasAs perspectivas favoráveis da implantação racional da cultura do pinhão-manso decorrem não somente dos baixos custos de sua produção agrícola, conforme se deve esperar diante das vantagens anunciadas, mas sobretudo porque ele poderá ocupar os solos pouco férteis e arenosos, de modo geral inaptos à agricultura de subsistência, proporcionando, dessa maneira, uma nova opção econômica as regiões carentes do país.
Não há duvida de que a cultura racional do pinhão-manso, desenvolvida com o emprego de melhores técnicas, devera constituir-se entre as mais promissoras fontes de grãos oleaginosos para fins carburantes. Além do alto índice de produtividade, as maiores facilidades de seu manejo agrícola e de colheita das sementes, com relação a outras espécies como palmáceas, tornam a cultura do pinhão-manso bastante atrativa e especialmente recomendada para um programa de produção de óleos vegetais. Outros aspectos positivos referem-se à possibilidade de armazenagem das sementes por longos períodos de tempo, sem os inconvenientes da deterioração do óleo por aumento da acidez livre, conforme acontece com os frutos de dendê ou de macaúba, ambos os quais devem ser processados o mais depressa possível.
PesquisasAs experiências recentes com o pinhão-manso, a cargo de algumas instituições agrícolas do país, cujos resultados ainda demandam algum tempo, comprovam o interesse crescente no conhecimento agronômico da cultura. Atualmente, em Minas Gerais, através da EPAMIG, realizam-se pesquisas da cultura em 4 estações experimentais, localizadas em regiões diferentes do estado mediante projeto financiado pela FINEP, devendo constituir-se na base de estudos visando à seleção e ao aprimoramento de variedades mais produtivas.
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